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Pós-verdade e a potência dos afetos: um resgate da vida e obra de Rachel Carson para um saber sobre ciências

Authors
  • Souza, Alana Tamires Fernandes de
  • Ferrer Pinto Martins, André
Publication Date
Jan 01, 2020
Source
DIALNET
Keywords
Language
Portuguese
License
Unknown
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Abstract

After being defined as the word of the year in 2016 by the Oxford dictionary, the post-truth has aroused the attention of researchers interested in understanding the origin of this phenomenon and its political and social implications nowadays and in the future. In stating that the post-truth is “relative to, or denotes circumstances in which objective facts are less influential in shaping public opinion than appeals to emotion and personal belief”, the Oxford dictionary opens a gap for us to seek to understand how the dichotomy “objective facts” versus “subjective or emotional aspects” may reflect the interests of the modernist contract of the sciences in the search for truth. For this, we turn to the historical case represented by the life and work of the American biologist Rachel Carson (1907-1964) who, when publishing her book Silent Spring in 1962, was accused of being irrational, emotional and considered pseudoscientist. Based on this case and drawing parallels with the current discussion on the use of pesticides in Brazil, we seek to show how the mobilization of affections can be used to arouse public interest in a topic. Finally, we discuss how this mobilization of affections can contribute to a science teaching committed to perceiving the scientific practice also permeated by aspects of subjectivity intrinsic to human beings. / Após ser definida como palavra do ano em 2016 pelo dicionário Oxford, a pós-verdade tem despertado a atenção de pesquisadores interessados em entender qual a origem desse fenômeno e quais as suas implicações políticas e sociais na atualidade e no futuro. Ao afirmar que a pós-verdade é “relativo a, ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos são menos influentes em moldar a opinião pública do que apelos à emoção e crença pessoal”, o dicionário Oxford abre uma lacuna para que busquemos entender como a dicotomia “fatos objetivos” versus “aspectos subjetivos ou emocionais” pode refletir os interesses do contrato modernista das ciências na busca da verdade. Para isso, recorremos ao caso histórico representado pela vida e obra da bióloga norte-americana Rachel Carson (1907-1964) que, ao publicar seu livro Primavera Silenciosa em 1962, foi acusada de irracional, emotiva e considerada pseudocientista. A partir deste caso e estabelecendo paralelos com a discussão atual sobre a utilização dos agrotóxicos no Brasil, buscamos evidenciar como a mobilização dos afetos pode ser utilizada para despertar o interesse do público para uma temática. Por fim, discutimos como essa mobilização dos afetos pode contribuir para um ensino de ciências comprometido em perceber a prática científica também permeada por aspectos da subjetividade intrínseca ao ser humano.

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