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Narrativas e teatralidades de jovens em conflito com a Lei

Authors
  • Souza, José Nildo de
Publication Date
Nov 05, 2020
Source
Repositório Institucional da Universidade de Brasília
Keywords
License
Unknown
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Abstract

Dissertação (mestrado)—Universidade de Brasília, Instituto de Artes, Programa de Pós-Graduação em Arte, 2020. / O objetivo desta dissertação é descrever e apresentar uma proposta pedagógica em socioeducação tendo como referenciais conceituais metodológicos o sociodrama de Moreno e a sociologia da representação do sujeito de Goffman. Eles possuem em comum uma teoria de papéis específica ao contexto da pesquisa. O problema que deu origem à pesquisa foi: quais são os vínculos entre cenas narradas e, as mesmas cenas, teatralizadas? As vinculações dessas cenas indicam sentidos para a linguagem e expressão dos socioeducandos, produção de um texto-vivo que é lido e, ao mesmo tempo, teatralizado - interpretação de papéis nas cenas como atores, narradores e interatuantes. No período entre fevereiro de 2019 e março de 2020 os socioeducandos teatralizaram suas narrativas em quadros cenográficos sobre liberdade, aprisionamento e geracionalidade. Deste ponto, se constrói uma pedagogia socioeducativa que parte da teatralização de narrativas. A metodologia compreende a abordagem socioeducativa da pesquisa-ação de Barbier e a análise de conteúdo de Bardin. É nas condições que vivem os socioeducandos que se produzem narrativas teatralizadas - encarcerados e destituídos de suas humanidades. Encenam histórias de vidas e as restrições diárias a que se encontram submetidos. Com a orientação do professor-pesquisador concebem o ator- narrador e o texto-vivo, elementos expressivos que compõem as narrativas teatralizadas. O texto, enredo cênico, é designado como „vivo‟ por que é atualizado a cada encontro atribuindo identidade ao grupo na produção das cenas. Oportuniza ainda, a inversão de papéis, onde podem ser protagonistas e interatuantes. Exercita-se aqui, um fenômeno próprio da natureza teatral, a autoconsciência cênica (ver-se em ação no seu papel). Representam nas cenas, narrativas geracionais do seu estar-no-mundo (muitos são filhos e filhas de presos) e teatralizações do cotidiano da internação - estereótipos e preconceitos, cenas de liberdade com estigma de infração, maneiras de sentir e pensar. Esses jovens, vivenciando a dimensão humana de si e do outro, em uma oficina de artes cênicas percebem então, relações entre cenas narradas e suas teatralizações. Vinculando teatralidades às narrativas, os socioeducandos encenam o enredo de um ator-narrador que conta sua história no grupo. A culminância desta encenação ocorre quando os demais experimentam também papéis de protagonistas nas cenas. Descobrem, que suas encenações são bastante semelhantes não pela estética que compõe a cena. Mas, pelas situações que se constróem nos enredos narrativos. Segundo Goffman resulta daí, um sentido de pertencimento - representação das distâncias e proximidades entre o cotidiano da prisão e o além muros (memórias do lugar de origem e referenciais parentais). Sistematiza-se, neste percurso, quadros cenográficos de uma pedagogia teatral para a socioeducação: três cenas de aprisionamento - 1) acusação e culpa, 2) julgamento e condenação, 3) detenção e encarceramento - e quatro cenas de liberdade - 4) enfrentamento, 5) acolhimento, 6) superação e 7) reconhecimento. Os referidos quadros fornecem ao professor-socioeducador atividades teatrais capazes de habilitá-lo para atuação nos diferentes regimes de internação. / Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). / The objective of this dissertation is to describe and present a pedagogical proposal in socio-education with Moreno's sociodrama and the sociology of Goffman's subject representation as methodological conceptual references. They have in common a theory of roles specific to the context of the research. The problem that gave rise to the research was: what are the links between scenes narrated and, the same scenes, theatrical? The links between these scenes indicate meanings for the language and expression of the socio-educated, production of a living text that is read and, at the same time, theatrical - role-playing in the scenes as actors, narrators and actors. In the period between February 2019 and March 2020, the socio-educational students theaterized their narratives in scenographic pictures about freedom, imprisonment and generationality. From this point on, a socio-educational pedagogy is built that starts from the theatricality of narratives. The methodology comprises Barbier's socio-educational approach to research-action and Bardin's analysis of content. It is in the conditions that live the socio-educational that theatrical narratives are produced - imprisoned and deprived of their humanities. They stage stories of lives and the daily restrictions to which they are subjected. With the orientation of the teacher-researcher they conceive the actor-narrator and the living text, expressive elements that compose the theatrical narratives. The text, a scenic plot, is designated as 'living' because it is updated to each meeting attributing identity to the group in the production of the scenes. It also provides an opportunity for role reversal, where they can be protagonists and interactive. Here, a phenomenon proper to the theatrical nature is exercised, the scenic self-awareness (see itself in action in its role). They represent in the scenes, generational narratives of their being in the world (many are sons and daughters of prisoners) and theatrical presentations of the daily life of internment - stereotypes and prejudices, scenes of freedom with a stigma of infraction, ways of feeling and thinking. These young people, experiencing the human dimension of themselves and of the other, in a workshop of performing arts then perceive relationships between narrated scenes and their theatricalizations. Linking theatricalities to the narratives, the socio-educational students stage the plot of an actor-narrator who tells his story in the group. The culmination of this staging occurs when the others also experience roles as protagonists in the scenes. They discover that their staging is quite similar, not because of the aesthetics that make up the scene. But because of the situations that are built up in the narrative plots. According to Goffman, the result is a sense of belonging - a representation of the distances and closeness between the daily life of the prison and the beyond (memories of the place of origin and parental references). In this journey, scenographic pictures of a theatrical pedagogy for socio-education are systematized: three scenes of imprisonment - 1) accusation and guilt, 2) trial and conviction, 3) detention and imprisonment - and four scenes of freedom - 4) confrontation, 5) welcome, 6) overcoming and 7) recognition. These frameworks provide the teacher-society educator with theatrical activities capable of enabling him/her to act in different internment regimes.

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