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Educação, criação e expressões culturais tradicionais : o caráter coletivo dos processos de criação frente à autoria individual

Authors
  • Florencio, Saulo Pequeno Nogueira
Publication Date
Feb 28, 2020
Source
Repositório Institucional da Universidade de Brasília
Keywords
License
Unknown
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Abstract

Tese (doutorado)—Universidade de Brasília, Faculdade de Educação, Programa de Pós-Graduação em Educação, 2019. / A presente pesquisa se dedica à discussão sobre a relação entre os contextos de Expressões Culturais Tradicionais e seus processos de criação e educação, a partir de conflitos autorais. As questões autorais e de propriedade intelectual são problemas históricos para detentorxs de tradições culturais, em que se observam práticas de roubo sobre suas criações, perpetuando exploração, espetacularização e hierarquizações culturais, assimetrias sobre suas condições de vida e manutenção de suas expressões, além da subtração do reconhecimento do caráter educativo que alicerça seus modos de ser, estar e criar. De acordo com a Teoria Histórico-Cultural, que fundamenta este trabalho, os processos de criação possuem caráter coletivo ontológico, sendo a criação individual apenas um momento da totalidade do processo criador. Entretanto, a modernidade apresenta, por imposição, a autoria individual como forma hegemônica de reconhecimento dos processos de criação, enquanto que nas Expressões Culturais Tradicionais predomina o reconhecimento da criação como processo coletivo, inteiramente ligado à herança das tradições. Nos contextos tradicionais a criação e a educação coincidem, ou seja, o processo de criação é também processo educativo. As formas com que as pessoas detentoras de tradições se relacionam com os saberes que herdam, em seus processos de criação, tecem sua história, cultura e a própria personalidade, possibilitando o reconhecimento dos aspectos relacionais e coletivos como constitutivos de seus modos de vida, e da própria constituição humana de suas detentoras e detentores. A presente pesquisa, de caráter teórico, defende a tese de que nas Expressões Culturais Tradicionais os processos de criação não possuem centralidade autoral, e assim possibilitam a existência do indivíduo sem que a coletividade perca a sua proeminência, ou seja, a vida e a educação pela criação em unidade entre pessoa-meio social. / This research is dedicated to the discussion about the relationship between the contexts of Traditional Cultural Expressions and their processes of creation and education, from copyright and authorship conflicts. Copyright and intellectual property issues are historical problems for holders of cultural traditions, in which occur theft of their creations, perpetuating exploitation, spectacularization and cultural hierarchies, asymmetries upon their living conditions and maintenance of their expressions, in addition to the suppression of recognizing the educational character in wich their ways of being and creating is based. According to the Historical-Cultural Theory, which underlies this work, the processes of creation have a ontological collective character, with individual creation being only a moment in the totality of the creative process. However, modernity presents, by imposition, the individual authorship as a hegemonic form of recognizing the processes of creation, whereas in Traditional Cultural Expressions the recognition of creation as a collective process predominates, entirely linked to the heritage of traditions. In traditional contexts, creation and education coincide, that is, the process of creation is also an educational process. The ways in which people in traditional contexts relate to the knowledge they inherit, in their creation processes, weave their history, culture and their own personality, enabling the recognition of relational and collective aspects as constitutive of their ways of life, and of the very human constitution of its holders. The present theoretical research defends the thesis that in Traditional Cultural Expressions the processes of creation do not have authorial centrality, and thus enables the existence of the individual in a way that the collectivity doesn’t lose its prominence, that is, life and education through creation in unity between person-social environment. / Esta investigación es dedicada a la discusión sobre la relación entre los contextos de las Expresiones Culturales Tradicionales y sus procesos de creación y educación, basados en conflictos de derechos de autor. Los problemas de derechos de autor y propiedad intelectual son conflictos históricos para lxs titulares de tradiciones culturales, en los que se observan prácticas de robo de sus creaciones, se perpetúan la explotación, la espectacularización y las jerarquías culturales, las asimetrías sobre sus condiciones de vida y el mantenimiento de sus expresiones, además de la resta Reconocimiento del carácter educativo que sustenta sus formas de vivir y crear. Desde la Teoría Histórico-Cultural, que subyace a este trabajo, los procesos de creación tienen un carácter ontológico colectivo, y la creación individual es solo un momento en la totalidad del proceso de creación. Sin embargo, la modernidad presenta, por imposición, la autoría individual como la forma hegemónica de reconocimiento de los procesos de creación, mientras que en las Expresiones Culturales Tradicionales predomina el reconocimiento de la creación como un proceso colectivo, totalmente vinculado a la herencia de las tradiciones. En contextos tradicionales, la creación y la educación coinciden, es decir, el proceso de creación es también un proceso educativo. Las formas con que las personas vinculadas a tradiciones se relacionan con el conocimiento que heredan, en sus procesos de creación, tejen su historia, cultura y su propia personalidad, permitiendo el reconocimiento de los aspectos relacionales y colectivos como constitutivos de sus formas de vida, y de sus procesos de constitución humana. La presente investigación, de carácter teórico, defiende la tesis de que en las Expresiones Culturales Tradicionales los procesos de creación no tienen centralidad de autoría, y por lo tanto permiten la existencia del individuo sin que la colectividad pierda su prominencia, es decir, la vida y la educación a través de la creación en unidad entre persona-medio social.

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