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A cultura cigana em questão

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Source
Repositório Digital Institucional da UFPR
Keywords
  • Teses - Educação
  • Educação De Crianças
  • Ciganos - Cultura
  • Religiosidade
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Abstract

Resumo: O presente trabalho teve como propósito realizar o levantamento de aspectos da cultura cigana, identificando significados e sentidos atribuídos à escola por crianças ciganas. O contexto da pesquisa circunscreveu-se a duas comunidades ciganas, situadas na Região Metropolitana de Curitiba-PR, no ano de 2009. Pesquisas realizadas sobre comunidades ciganas abrangem diferentes objetos de estudo notadamente no que diz respeito às questões históricas e sociais (CASA-NOVA, 1999; CORTESÃO, 1995; ENGUITA, 1996, 1999; LIÉGEOIS, 1994, 2001; LOPES DA COSTA, 1996, 2001; MAIA, 1998; MENDES, 1998 e MONTENEGRO, 2003), todas elas desenvolvidas em países da Europa. A revisão de literatura demonstrou a inexistência de estudos sobre crianças ciganas no Brasil. A pesquisa realizada tratase do Estudo de Caso de 5 (cinco) crianças ciganas de duas comunidades distintas que haviam frequentado escolas. Utilizou-se de diferentes procedimentos de coleta de dados, tais como: a técnica de observação participante, entrevistas semiestruturadas e a produção do desenho infantil. Os procedimentos de análise dos dados ocorreram por meio da identificação de núcleos de significação (AGUIAR; OZELLA, 2006) a partir de dois eixos: os significados e sentidos atribuídos à escola pelas crianças ciganas e os significados e sentidos atribuídos ao cotidiano que envolve as atividades escolares. Para ancorar a análise do conjunto de dados coletados, utilizou-se, fundamentalmente, o referencial histórico-cultural de Vygotsky (1998, 1996, 1993, 1988, 1987a,1987b e 1984) e de Rogoff (2005), além dos estudos de Grubits (2003) e Silva (2002) acerca dos possíveis significados presentes nas análises dos desenhos infantis. Do conjunto de dados coletados, foi possível constatar que o significado que as crianças ciganas atribuem à escola sugere um movimento de encantamento com esse “espaço-lugar” que lhe oferece experiê cias diferentes de seu grupo de pertença, experiências essas que exigem novos processos de interação tanto em relação ao professor, colegas e demais profissionais que atuam na escola, quanto em relação aos inúmeros objetos e recursos disponibilizados pela instituição. Os sentidos atribuídos à escola e ao cotidiano escolar envolvem: lugar onde é possível brincar, ver filmes, adquirir novos conhecimentos, conviver com outras crianças, onde se aprendem regras de convivência, onde se recebe carinho, onde se aprende a ler e a escrever. Em outras palavras, os significados e sentidos atribuídos à escola e ao cotidiano escolar sugerem a possibilidade dessas crianças estarem receptivas à experiência escolar. Não obstante esse encantamento inicial, possivelmente motivado pela novidade, por tudo aquilo que é diferente da sua realidade cotidiana, pode ser alterado se a escola não promover práticas de aproximação entre culturas de diferentes etnias, por meio das quais seja possível a promoção da aprendizagem mútua que valorize diferentes modos de ser e de estar no mundo, o movimento de negociação de significados e a elaboração de sentidos, conforme Vygotsky.

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