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Globalização e cidadania

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PUC-SP
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Pensamento & Realidade 5 GLOBALIZAÇÃO E CIDADANIA Plinio Arruda Sampaio* Na Antigüidade e na Idade Média, cidadão eram aspessoas a quem a cidade conferia direitos e fixava obri- gações. O conceito evoluiu e hoje não se refere mais às cidades e sim às nações. Falar do impacto da globalização na cidadania é, portanto, o mesmo que falar do impacto desse fenômeno nos estados nacionais. Globalização é um movimento de unificação dos seg- mentos modernos das economias capitalistas em um merca- do integrado pelas 900 milhões de pessoas mais ricas do mundo. A peculiaridade desse movimento é que ele não se limita ao intercâmbio de produtos entre uma economia e outra, mas abrange o intercâmbio de capitais, o planeja- mento e a realização da produção em escala mundial. A intervenção do Estado na economia perturba esse planeja- mento global e provoca conflito entre essas empresas e os estados nacionais. Desde o fim da Segunda Guerra Mundial até a ofensiva neoliberal dos anos oitenta, os estados nacionais ditavam as regras do mercado em seus respectivos territórios. As * Plínio Arruda Sampaio, ex-deputado constituinte e ex-consultor da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). 6 Ano I — Nº 2/98 Ponto de vista transnacionais ou se ajustavam ou deixavam de fazer investimentos e negócios no país. Com o passar dos anos, elas tornaram-se tão podero- sas que já não aceitam mais o domínio dos estados nacionais. Querem mercados livres, submetidos a regras universais, não sujeitas a nenhum governo. Há autores que vêem nisso a etapa inicial de um processo de substituição dos estados nacionais por outras formas de poder político. É difícil dizer se essas previsões se realizarão. Mas, sem dúvida, os Estados estão bastante debilitados e já não podem mais resistir às pres- sões das megatransnacionais. À medida que a globalização avança, de- cisões que eram tomadas no âmbito das Nações passam a ser tomadas em foros internacionais. Em relação a essas matérias, o cidadão já não te

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