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Processo discursivo e subjetividade : vozes preponderantes na avaliação da oralidade em lingua estrangeira no ensino universitario

Authors
Publisher
Biblioteca Digital da Unicamp
Publication Date
Keywords
  • Linguistica Aplicada
  • Analise Do Discurso
  • Psicanalise
  • Avaliação
  • Aquisição Da Segunda Linguagem

Abstract

Nesta tese estudamos as representações da avaliação da oralidade na aprendizagem de inglês como língua estrangeira (LE) no ensino universitário público brasileiro, formador de professores de LE. Trata-se de uma abordagem transdisciplinar, que abrange questões e conceitos da Lingüística Aplicada, da Análise do Discurso e da Psicanálise. Nesta perspectiva, a subjetividade é constitutiva do discurso e os discursos são construidos sócio historicamente por sujeitos desejantes, descentrados, constituídos pela linguagem e envolvidos em relações de poder e interesses formativo/institucionais. Nesta heterogeneidade de sentidos, os sujeitos-professores tomam posições contraditórias nas avaliações da aprendizagem de seus alunos que são configuradas em gestos de interpretação porque atendem a demandas advindas de várias vozes do discurso, nesse caso, da ciência, da técnica, do jurídico e do político-transferencial. Após um breve panorama sobre o desenvolvimento do conceito de avaliação nas diferentes épocas e particularmente no ensino/aprendizagem de LE, apresentamos o nosso corpus a partir do discurso e da prática de professores e de alunos em fase final de um curso de Letras, quando se supõe que esse aluno é capaz de tomar a palavra em LE. Em nossa análise, utilizamos, dentre outras, a noção de "ressonância discursiva", isto é, recorrências expressivas que nos permitem depreender formações discursivas (FD), entendidas como regularidades enunciativas no domínio de saber estudado. Tendo em mente a compreensão de conceitos e processos envolvidos nas práticas avaliativas, partimos da tematização de elementos da avaliação oral tradicional, tais como a fluência e a pronúncia; do ideário de competência comunicativa/proficiência; da consideração da diferença entre saber e conhecer a língua; das reações ao erro; das correções entre colegas; e do aluno visto como fraco. Como resultado, depreendemos gestos que concorrem para configurar FD's que denominamos Inclusiva e Excludente, nas modulações que nomeamos Inclusão Incondicional, Inclusão condicional demandante e Perfeição excludente. A FD Excludente caracteriza-se por um imaginário de perfeição que exclui tanto a falta quanto a excelência do aluno. Em uma modulação que estabelecemos, o desempenho do aluno tem que ser perfeito, embora nunca máximo e o aluno dito fraco nem é percebido como presença. A FD Inclusiva se caracteriza pela aceitação da falta e pela inclusão do progresso do aluno, tomando relativo o seu desempenho. Nesta FD, foi possível observar duas modulações. Na primeira, nomeada Inclusão Incondicional, um progresso e a aprovação acima de uma exigência mínima abstrata são sempre conferidos a todos os alunos sem exceção. Na segunda, nomeada Inclusão condicional demandante, alguma demanda subjetiva dos alunos é atendida, embora condicionada aos objetivos científico/técnicos. Nela, o aluno pode alcançar a excelência, embora aqueles ditos fracos ainda sejam apontados através do rigor da nota que marca a desaprovação.

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