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A LINGÜÍSTICA SERVE PARA ALGUMA COISA? QUESTÕES DE POLÍTICA LINGÜÍSTICA

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Revista Letras
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Abstract

A LINGÜÍSTICA SERVE PARA ALGUMA COISA? QUESTÕES DE POLÍTICA LINGÜÍSTICA Carlos Alberto Faraco* O título desta conferência coloca claramente uma pergunta sobre a uti-lidade da lingüística. Contudo, opera no terreno do equívoco ao dei-xar sem explicitar a continuidade da pergunta, isto é, de que utilidade estou falando; ou, ainda, para quê ou para quem a lingüística é ou não útil. Gostaria, então, de tentar resolver logo de início o equívoco posto. Não está me interessando aqui a questão maior de se uma ciência como tal é ou não útil. Ouço muitas vezes as pessoas lançarem perguntas sobre a utilidade do estudo desta ou daquela teoria em particular; ou, ainda, pergunta- rem, diante de reflexões teóricas mais gerais, pela relevância prática dessa ati- vidade, como se só fosse correto pensar cientificamente nos casos em que há um problema prático a ser resolvido. Embora considere essas duas formas de perguntar equivocadas, não é das utilidades que elas questionam, que pretendo me ocupar aqui. Gostaria ape- nas de dizer que, nessa esfera, partilho da crença de que a ciência é útil mesmo quando, entregue a seus caminhos de alta idealização e abstração, parece não o ser. Também não me interessa aqui colocar perguntas sobre a óbvia utilidade da lingüística para nós em particular que vivemos dela. Quer dizer: ela nos * U n i v e r s i d a d e Fede ra l d o P a r a n á / C e f e t - P R . Revista Letras, Curitiba, n. 56, p. 33-41. jul . /dez. 2001. Editora da UFPR 33 FARACO, C. A. A lingüística serve para alguma coisa?... garante os empregos e as bolsas e ainda nos agracia, de tempos em tempos, com momentos de agradável convívio em encontros, seminários e congressos nacio- nais e internacionais. Está-me interessando aqui levantar a pergunta de se a lingüística é ou tem sido útil no espaço das nossas guerras culturais em torno da língua. Talvez seja ocioso lembrar (mas o faço, para efeitos de argumento) que a língua, como de resto qualquer outro fenômeno, é c

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